| MUDAS PARA HIDROPONIA |
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| Editado por Alcelmo Schulz | |
| 04-Aug-2009 | |
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A etapa de produção de mudas é decisiva para
conferir sucesso no empreendimento em hidroponia, pois interfere diretamente no
aspecto sanitário da cultura, na precocidade da colheita , na eficiência
operacional , nos custos e qualidade do produto final. Para hortaliças de maneira
geral, pode-se dividir a produção de mudas em duas fases; a 1a, compreendida
entre a semeadura ou estaquia até o primeiro par de folhas e a 2a , a partir
desta até o quinto par de folhas. O tempo de duração destas fases dependerá,
dentre outros fatores, da espécie, da cultivar, do substrato, das condições
microclimáticas, do tipo de propagação (vegetativa ou semente), do
condicionamento da semente (nua ou peletizada), das condições fitossanitárias do
ambiente de produção.
1 Escolha da semente
Um aspecto fundamental para reduzir o tempo
para formação das mudas é a escolha da semente. Além de verificar a qualidade
fisiológica, sanitária e genética, deve-se escolher na hora da compra, sementes
peletizadas. Sementes peletizadas são misturadas com um pó inerte e
aglutinantes configurando uma formação uniforme, facilitando a semeadura e dispensando
o desbaste. Este procedimento aumenta em cerca de 1.000% o tamanho da semente,
sendo a quantidade de semente em 1 kg é reduzida em cerca de 250.000 para 27.500
unidades. Normalmente, as sementes peletizadas recebem tratamento denominado “priming”,
que reduz o problema da maioria dos cultivares como a fotodormência (luz para poder
germinar) e a termodormência (não germina em temperaturas acima de 23o C). Vale
ressaltar, que embora este tratamento seja muito eficiente para acelerar o
processo de germinação, reduz a longevidade das sementes. Portanto, após a
abertura de uma lata de sementes, mesmo com armazenamento adequado, deve ser
consumida rapidamente.
2 Substratos
A escolha do substrato determinará o tipo de
estrutura requerida para produção das mudas. Algumas características devem ser
consideradas para a escolha do substrato mais adequado, ou sejam, ser inerte
quanto ao fornecimento de nutrientes, ter pH neutro e apresentar retenção de
água e porosidade adequadas para a oxigenação das raízes; de oferecer
sustentação para a muda e proteção às raízes aos danos físicos.
Quatro principais tipos de mudas para
hortaliças folhosas têm sido usadas no cultivo hidropônico, à saber: substrato
organo-mineral, vermiculita, algodão hidrófilo e espuma fenólica. Para
hortaliças de frutos, outros substratos podem ser usados, como a perlita, a lã
de rocha, argila expandida e areia.
2.1 Substrato organo-mineral
Foi muito utilizado no passado, quando outros
substratos não eram disponíveis. Este substrato que pode apresentar as mais
diferentes composições, conforme a fontes usadas na sua confecção, proporciona
bom desenvolvimento das mudas, não sendo necessário o fornecimento de solução
nutritiva e nem de uma estrutura física tipo bancada. No entanto, para o
cultivo hidropônico, o substrato organo-mineral apresenta as seguintes
desvantagens:
a) não é inerte, podendo interferir na
composição da solução;
b) pode ser veículo de transmissão de microorganismos
patogênicos;
c) requer uso de suporte tipo bandeja de
isopor ou de plástico;
d) requer, antes do transplantio para o
sistema hidropônico, da retirada do substrato aderido ao sistema radicular;
e) requer o tutoramento das mudas após o
transplantio para o canal de cultivo;
f) elevada incidência de danos físicos às
raízes durante o processo de limpeza no transplante;
g) promove maior risco de entupimento do
sistema de irrigação devido a detritos de substrato;
h) consome maior tempo na operação de
transplantio;
i) aumenta a porcentagem de descartes de
mudas e portanto, aumenta os custos.
2.2 Vermiculita
Este material resulta do aquecimento a 1.090o
C do mineral mica, que apresenta após este tratamento a densidade de 90-150 kgm-3,
podendo absorver entre 40-50 Lm-3 de água, além de apresentar alta capacidade
de troca de cátions. É comercializada em diferentes granulometrias, sendo a no 4
(0,75-1,0 mm) a mais indicada para germinação, todavia recomenda-se para
produção em sistema hidropônico a de maior granulometria. Para um bom desenvolvimento
das mudas é necessário o fornecimento de solução nutritiva, dessa maneira requer
uma bancada. Nesta bancada denominada de "floating" ou piscina, as
bandejas de isopor são colocadas para flutuar sobre um filme de solução
nutritiva (4-8 cm), de preferência que esteja em circulação. Convém salientar,
que a solução nutritiva nesta fase deve ser mais diluída, cerca de 50% da
concentração da fase de produção. Apresenta as mesma desvantagens do substrato
organo-mineral, com as exceções de não servir de fonte de patógenos e não
interferir na solução nutritiva, entretanto proporciona relativo
desenvolvimento de algas na superfície das bandejas.
2.3 Espuma Fenólica
É um substrato estéril, de fácil manuseio e
que oferece ótima sustentação para as plântulas, reduzindo sensívelmente os
danos durante a operação de transplantio. Dispensa o uso de bandejas de isopor,
portanto não requer a construção do "floating", pois após a emergência
as mudas são transplantadas diretamente para os canais de crescimento. É comercializado
em placas com 2 cm ou 4 cm de espessura e com células pré-marcadas nas dimensões
de 2 cm x 2 cm.
A seguir é apresentado o procedimento
recomendado para produção de mudas utilizando placas de espuma fenólica.
a) Dividir a placa de espuma fenólica em duas
metades;
b) Lavar muito bem cada placa com água limpa.
Uma maneira fácil de efetuar essa operação é enxaguar diversas vezes com água
para eliminar possíveis compostos ácidos remanescentes de sua fabricação. O uso de um tanque com dreno facilita o
trabalho. Para evitar que a placa de espuma se quebre durante o seu manuseio,
usar um suporte com perfurações . Por exemplo, a parte dorsal (base) de uma
bandeja de isopor ou chapa de madeira ou de plástico ou de PVC ou de acrílico
com perfurações de 0,5-1,0 cm de diâmetro e alocadas de forma aleatória no
suporte. Estas perfurações auxiliam a drenagem do excesso de água da espuma
fenólica.
c) Caso as células não estejam perfuradas
para a semeadura, efetuar as perfurações usando-se qualquer tipo de marcador
com diâmetro máximo de 1,0 cm, tomando-se o cuidado de que os orifícios fiquem
com no máximo 1cm de profundidade. O orifício de forma cônica possibilita
melhor acomodamento da semente e evita compactação da base favorecendo a penetração
da raiz na espuma fenólica.
d) Efetuar a semeadura conforme determinado
para cada espécie de hortaliça. No caso de alface, usar apenas uma semente
quando a mesma for peletizada, ou no máximo três no caso de semente nua (neste
caso há necessidade de efetuar o desbaste após a emergência, deixando-se apenas
uma plântula por célula). Para as outras hortaliças de folhas, caso de rúcula,
agrião d’água, almeirão, salsa e cebolinha, usar quatro a seis sementes por orifício.
e) Após a semeadura, caso haja necessidade,
irrigar levemente a placa com água usando um pulverizador ou regador com crivo
fino.
f) Colocar a bandeja com a placa já semeada,
em local apropriado para a germinação de sementes (temperatura amena porém com
pouca variação de 20 a 25o C). Normalmente, não há necessidade de irrigação da
espuma durante o período de 48 h após a semeadura. Entretanto, caso haja
necessidade, umedecer a placa de espuma fenólica por subirrigação, usando-se
apenas água.
g) No período de 48 a 72 horas a setenta e
duas horas após a semeadura , transferir as placas para a estufa e acomodar num
local com luminosidade plena. Iniciar a subirrigação com a solução nutritiva
diluída a 50%. A espuma deve ser mantida úmida porém não encharcada. Quando a
semente iniciar a emissão da primeira folha verdadeira (cerca de 7 a 10 dias
após a semeadura), efetuar o transplante das células contendo as plantas para a
mesa de desenvolvimento das mudas, mantendo um espaçamento entre células de 5cm
x 5cm, caso essa mesa tenha canaletas de PVC de 50 mm, ou 7,5 cm x 5 cm caso
seja com telha de fibrocimento de 4 mm. Para facilitar o transplante das
células de espuma para a canaleta, use uma pinça (tira dobrada de PVC com 1 cm
de largura) para auxiliar a colocação de cada muda no fundo da canaleta. O
orifício na placa de isopor de cobertura da mesa deve ser de no máximo 3,5 cm
de diâmetro. |
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| Atualizado em ( 04-Aug-2009 ) |
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